Olá!
Neste espaço, inseri alguns artigos que redigi, quando ainda estava trabalhando na Deutsche Welle. Alguns textos possuem áudio, não deixem de ouvir! :)

 

Devido aos direito autorais, não inseri fotos nas outras matérias. Algumas matérias que redigi, estão no jornal online da Deutsche Welle com as devidas fotos.  Inseri o link das matérias com o "áudio". :) Boa leitura!

A euforia do Carnaval alemão

“Na cidade de Colônia, na Alemanha, foi festejado uma das datas mais importantes do carnaval alemão, o Rosemontag, a segunda-feira das Rosas”

 karneval

 

Na Alemanha o carnaval começa mais cedo do que no Brasil, é sempre em novembro do ano anterior. Na realidade é no dia 11/11, às 11h11 minutos, que as associações e clubes de carnaval começam a organizar suas festividades, claro, os alemães possuem a fama de serem extremamente organizados, para festas então, a organização não podia faltar. A maioria das cidades alemãs comemoram o carnaval, mas, uma das principais festividades, acontecem nas ruas de Colônia. Eu estive nesta cidade para vivenciar um pouco da cultura do carnaval alemão, e entrevistei algumas pessoas. Leiam!

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Música, muitas risadas, cores e bom humor aqui no norte da Alemanha, nas ruas da cidade de Colônia, que nesta época de inverno normalmente está cinzenta e bem fria. Mas desta vez, o sol deu uma mãozinha. E dá as boas-vindas a cerca de um milhão de pessoas no centro da cidade.

 

Uma massa de gente que não se vê todos os dias por aqui. Nem seria comum, também, ver que estas pessoas estão nos ônibus, nos trens e no centro de Colônia com inusitadas fantasias, cantando, dançando ao som de muita música.

Toda essa festa tem um motivo especial: é que esta segunda-feria é o ponto mais alto do Carnaval da cidade de Colônia: o chamado Rosenmontag, que significa em português: segunda-feira das rosas.

Para alguns foliões, não existe outro feriado além do Rosenmontag, é o que diz Angélica, que nasceu em Colônia e mora há mais de 60 anos na região. “Para nós que moramos em Colônia, a segunda-feira das rosas é o feriado mais importante do ano. É uma festa mais importante do que o natal.”

 

RosenmontagCarros alegóricos nas ruas de Colônia

 

Durante o Rosenmontag, mais de 70 carros alegóricos e 100 associações carnavalescas desfilam pelas ruas de Colônia. E, do alto dos carros, o que cai nas mãos do público feminino são rosas, fazendo jus ao nome do Rosenmontag. A irreverência e as fantasias criativas marcam o carnaval alemão em Colônia. Os personagens nas fantasias são vários. Como é inverno na Alemanha, as pessoas saem bem agasalhadas, e desfilam como príncipes, palhaços, camponeses, bruxas, piratas, hippies, dentre outras fantasias, bem diferente dos costumes carnavalescos do Brasil. Também é possível ver muitas máscaras e disfarces de personagens políticos nas ruas de Colônia. Como por exemplo, um carro mostrando o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, envolvido em escândalo sexual.

 

Os foliões aguardavam ansiosos para ver o famoso desfile. Ficam eufóricos para receber dos carros alegóricos balas, doces e pequenas lembrancinhas, mas quem deseja receber os doces, deve gritar bem alto “Kammelle”, que significa “doces” ou “caramelos”.

 

A alegria e animação não tem idade, neste momento, crianças, idosos e jovens, homens e mulheres e muitos turistas festejam juntos. No meio de tanta festa e animação, bebês também vieram assistir ao desfile, o pai da pequena Elizabeth, de apenas 1 ano acredita ser importante participar da festa junto com a família. “Essa é a nossa filhinha Elizabeth. Ela não tem ainda 1 ano, mas festeja junto conosco. Nos encontramos aqui há mais de 8 anos junto com os nossos colegas e amigos e bebemos cerveja juntos. Neste dia temos a chance de ser bem diferente do que o normal. Isto é o mais legal deste dia.

 

Outros foliões revelam que o mais divertido é estar junto com os amigos, sair da rotina do trabalho, observar as pessoas, as fantasias e aproveitar o dia em que não precisam trabalhar.

Quem acha que somente os alemães desfrutam da festa, está enganado. È o caso de Mohamed que veio do Irã. “Eu moro há 35 anos na Alemanha, vim do Irã e sou casado com uma mulher que nasceu em Colônia, e participamos juntos da tradição do carnaval em Colônia. Todas as pessoas são bastante abertas, dançamos, rimos, nos divertimos juntos.”

 

A euforia do carnaval aqui no norte da Alemanha deverá acabar nesta terça-feira. O colorido e as risadas de cinco dias de folia poderão ficar para o ano que vem. Ou pelo menos, até o dia 11 de novembro deste ano, quando começa a próxima temporada do Carnaval.

 

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle.

(08.03.11)

Rosenmontag
Rosenmontag
Rosenmontag
Rosenmontag
Karneval
Karneval
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Rosenmontag
Rosenmontag

Belo Monte - uma solução ou um problema?

Belo Monte
Matéria realizada para Deutsche Welle com o escritor indígena e historiador Daniel Munduruku, com o coordenador da ONG Brasil no Projeto índios cidade em São Paulo, Marcus Julio Aguiar e com o índio Timóteo Vará, da tribo Guarani.
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MP3 Audio File 6.2 MB

Começaram as construções da  barragem de Belo Monte na Amazônia. A usina hidrelétrica será a terceira maior barragem do mundo. E tem sido motivo de muita polêmica para Ongs, para a população indígena e para a comunidade local. 

 

A barragem considerada fundamental pelas autoridades brasileiras para garantir energia elétrica no país, tem sido questionada, pois essa usina inundará uma área de 440 quilômetros quadrados e vai afetar m mais de 66 municípios e 11 terras indígenas.  Segundo Marcus Julio Aguiar, que é coordenador da ONG Brasil, no Projeto índios na cidade em São Paulo, falta democracia “no seio das autoridades”, estas foram palavras usadas pelo coordenador. Para ele, o processo da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, não tem levado em consideração os direitos e a voz dos povos indígenas e das comunidades tradicionais da região.

“É imprescindível na própria lesgilação, que se discuta amplamente com as comunidades que serão atingidas, e isso para falar a  verdade não tem sido feito. Nós percebemos não só nas próprias discussões de Belo Monte em alguns eventos que aconteceram nas regiões, como as conferências e políticas públicas, que essas comunidades não são chamadas”. Esclarece o coordenador da Ong Brasil índios da cidade.

 

O escritor indígena, historiador e doutor em educação, Daniel Munduruku, disse, que as consequências de uma barragem deste porte, são destrutivas para a comunidade indígena e a biodversidade da região. Ele afirma ainda, que afastá-los de sua terra, que é considerada sagrada, é exterminar a cultura indígena.

“Ele não apenas fica aleijado da sua sobrevivência material, mas também da sua sobrevivência espiritual que é o lugar onde ele pratica seus rituais, como cantos, danças, enfim, é praticamente a destruição de um povo”, relata o escritor.

A preocupação do escritor e historiador Daniel Mundukuru está não somente relacionada com os indígenas, mas também com a população local que será deslocada para ambientes segundo ele, desconhecidos. Ele explica, que as populações locais, ao migrarem para outras cidades, provocarão um aumento expansivo nas cidades, e muitas famílias poderão invadir outros territórios indígenas ou áreas de preservação ambiental.  Uma consequência relatada por Daniel Mundukuru é o aumento da miséria e pobreza na zona urbana, ou seja tem-se um problema não apenas ambiental, mas social que a barragem não irá resolver, opina o escritor.

O índio Timóteo Vará, da tribo Guarani, diz que está apreensivo com relação a população indígena.  “O governo diz que a construção da barragem Belo Monte é necessária para o desenvolvimento do Brasil, o governo fala que tem interesse no desenvolvimento do país, mas isso chamo de desordem social, que vem trazendo problemas sérisos para nós indígenas e para a comunidade local”.

O escritor indígena, Daniel Mundukuru acredita que a construção desta barragem é desnecesária para o Brasil, pois o país possue recursos energéticos suficientes, bastando para isso, acionar as próprias barragens já construídas para que o país tenha energia suficiente pra sua manutenção.

 

Matéria redigida por Cristiane Wedel para Deutsche Welle. 09.03.11

 

 

 

Blogs em tempos revolucionários

Para muitos, é um diário na internet. Mas os blogs são em algumas partes do mundo, o único caminho par a liberdade de expressão. Eles são a alternativa, a fonte de informação. A Deutsche Welle realizou a sua sétima edição do concurso internacional de blogs. Neste ano mais de 90 mil usuários de todo o mundo votaram, através do twitter e do facebook, para eleger  os melhores blogs em português, alemão, árabe, bengali, chinês, espanhol , francês, indonésio, inglês, persa e russo. O blog “Vá de Bike” foi escolhido pelos usuários, o melhor blog em português, este, foi divulgado para promover o uso da bicicleta como meio de transporte “no país do automóvel”. Como melhor blog desta edição , foi eleito: “A Tunísia Girl” da tunisiana Lina Ben Mhenni.

A Jovem tunisiana observava detalhadamente os acontecimentos revolucionários de seu país durante o antigo regime de Ben Ali. Foi então, que começou a redigir sobre a situação política de seu país. A vontade de se expressar era intensa, foi assim, que a tunisiana encontrou através do blog, uma alternativa, para se manifestar sobre a realidade política e social do seu país.

Durante muitos anos, o blog de Lina Bnen Mhenni foi proibido no país, e por isso, só era lido no exterior. Apesar dos riscos, ela divulgava informações da Tunísia sobre a repressão e censura durante o regime de Ben Ali.

Jornalistas, especialistas em blogs, cientistas da mídia, faziam parte do Júri internacional da Deutsche Welle. Entre 186 renomeados blogs, “A Tunisia Girl” esteve na primeira posição.  Em todo o conteúdo de seu Blog, ela se refere sobre a justiça e as manifestações livres de opinião.  Mostrando assim, um exemplo de perseverança, coragem e resistência que foram feitos nos últimos cinco anos.

 

Foto divulgada pela Deutsche Welle (Portraet/Lina Ben Mhenni - Tunesikens Bekannteste Bloggerin. dpa

Muitos blogueiros arriscaram suas vidas para transmitir informações. Um exemplo, foi o blog egípcio “We are Khaled Said”, é uma comunidade em nome de Khaled Said, um jovem que foi morto pela polícia em Alexandria em junho de 2010. Sua morte provocou a revolução no Egito, que levou à queda do regime de Hosni Mubarak. Este blog recebeu o premio atribuído a catagoria “Best Social Activism Campaign” (melhor campanha de ativismo social).

Com seus parceiros “repórter sem fronteiras”, a Deutsche Welle nomeou neste ano, o Blog de Judit Torrea do México. A jornalista escreve no seu diário online “A cidade de Juarez na sombra do comércio de drogas”. Ela registra em seu blog sobre o poder do comércio das drogas no México. Lucie Morillon, responsável pela internet Freedom Desk, dos repórteres sem fronteira em Paris,  esclarece: “Ela explica histórias curtas e simples sobre o dia a dia e as dificuldades e sofrimentos de pessoas que vivem em uma cidade que é governada pelo tráfico de drogas, e isso é um risco. A situação no México é perigosa. Desde 2000, mais de 71 jornalistas morreram”.

Na categoria “Prêmio Principal de Direitos Humanos”, ganhou o blog inglês “Migrant Rights in the Middle East”(Direito dos imigrantes do Oriente Médio). O blog chama atenção para as condições de vida do trabalho migrante no Oriente Médio, que representa nos Estados do Golfo uma grande proporção de trabalhadores.

Na categoria “Best of use of technology for social good”, em português, “o melhor da nossa tecnologia para o bem social. Ganhou o blog russo “Rospil”, cuja meta é punir autoridades e funcionários do governo que usam licitações públicas para o enriquecimento pessoal. No blog há apoio jurídico para essas pessoas que foram vítimas de corrupção.

Matéria traduzida do alemão para o português por Cristiane Wedel para Deutsche Welle .13.04.11

 

Matéria original: “Bloggen in Zeiten der Revolution – Tunesierin gewinnt DW Internet-Preis

Ozgokceler, Irem DW

Inserção social de crianças deficientes em Angola

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Em Angola mais de 22.000 alunos estão inseridos nas escolas, entre eles deficientes fisícos. O ministro da Educação do país disse que a preocupação é assegurar uma educação inclusiva com vista à reintegração social.

 

Em Angola, o maior índice de crianças com deficiência física encontra-se na região centro e sul do país, onde o conflito armado foi mais intenso, afirmou Mbuta Pascoal, o coordenador da ONG Promoção e Proteção dos Direitos da Criança em Angola.

Segundo o coordenador, ainda há muitos deficientes nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, Luanda, Kunza-Norte e Kuanza-Sul. Os deficientes, são na sua maioria maioria jovens e crianças. Nestas regiões, foram construídas escolas para as crianças, tanto as que têm necessidades especiais, como as que não têm nenhum tipo de deficiência... Assim, elas podem aprender juntas.

De acordo com o ministro da Educação de Angola existe uma boa infra-estrutura e uma boa preparação dos professores. Pinda Simão, explica que são escolas normais com espaço para as áreas pedagógica e administrativa, e com possibilidade, sobretudo nestes últimos anos, de ter instalações desportivas. Segundo o ministro angolano a preocupação do país atualmente é que os alunos possam partilhar o mesmo espaço e o mesmo ensino em escolas normais, desde que, é claro, "os professores estejam preparados para atender esses alunos deficientes".

Novas construções a pensar nos deficientes

 

Mas para o coordenador da ONG angolana Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças, Mbuta Pascoal, os desafios ainda são muitos: “Nós queremos que eles estejam a conviver com outras crianças para evitar a exclusão". O coordenador da ONG chama a atenção ainda para as novas construções, considerando que elas devem ter um sistema de rampas para facilitar o acesso das crianças.

Por seu lado, o ministro da Educação, Pinda Simão, disse que existe a orientação de se construírem rampas nas escolas para o melhor acesso das crianças.

Mbuta Pascoal explicou também que o preconceito contra os deficientes por parte dos colegas na sala de aula é uma dura realidade. Falta acompanhamento psicológico, acrescenta Pascoal que aguarda ansioso a aprovação das leis para proteger os deficientes. O coordenador protesta: “A questão geralmente de reabilitação social das crianças não pode ser encarada como uma ação de solidariedade. Não é uma questão de caridade, mas de direito".

 

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

(21.03.11)

 

Mortalidade infantil ainda é um drama

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Relatórios de agências internacionais, mostram a dramtática realidade da mortalidade infantil no mundo. Foram registrados cerca de 7.200 nados-mortos em todo mundo. Em 2009 houve 2,6 milhões de óbtos fetais. Os países lusófonos, como Angola, Moçambique e Guiné Bissau se destacam na lista. Representantes da Unicef relatam os problemas existentes em Angola e Guiné Bissau que tornam os países mais vulneráveis a mortalidade infantil.

 

De fato a realidade é bem dramática. De acordo com o relatório divulgado pela revista científica “The Lancet”, a cada instante que se passa, há 300 bebês que morrem dentro do útero ou no momento do parto. A maioria das mortes acontece nos países onde o índice de analfabetismo é elevado, a desnutrição é intensa e a asaúde pública é precária.

A estimativa de mortalidade infantil segundo um inquérito representativo da Unicef e da Organização Mundial de Saúde, OMS, desde 2008 até 2011, em Angola, tem-se 166 mortos por 1000 nascimentos, afirmou o representante da Unicef em Angola, Koeln Vanormelingen. Ele explica, que 25% dos casos da mortalidade infantil, ocorrem devido a doenças como malária, e 15% da mortalidade infantil, incidem com diarréia e infecções respiratórias e complicações durante o parto. E ainda aproximadamente 80% estão relacionadas as doenças que podem ser prevenidas com vacinação. Por outro lado, alerta Koeln Vanormelingen,  que o índice de mortalidade infantil está relacionada com o analfabetismo das mães.

“O problema fundamental, é que 50% da mortalidade está ligada com a educação da mãe. Mães analfabetas representam nestes países ainda 36% da população e elas tem probabilidade de ter a morte de sua criança antes de cumprir os cinco anos 3 ou 4 vezes maior, do que mulheres, que tem pelo menos, a educação primária e dez vezes mais elevadas, do que mulheres com educação secundária ou universidade,”explica o representante da Unicef.

Koeln Vanormelingen, relatou ainda, que em Angola 39% da população vive com menos de 2 dólares por dia, fato que influe diretamente na mortalidade infantil. “Angola é um país pós guerra, o acesso aos serviços de saúde com qualidade ainda está limitado por razão das destruições que se fizeram durante a guerra. Existem três fatores importantes no país que precisam ser priorizados na agenda política: a educação da mãe, a pobreza generalizada e o efeito de um país pós guerra”, acrescenta.

 

Educação

 

Segundo o representante da Unicef, o governo tem se empenhado junto com os parceiros da Organização das Nações Unidas, como por exemplo, através do apoio aos programas de erradicação da mortalidade infantil junto com igrejas em Angola e a Unicef, com o intuito de melhorar os serviços de saúde e educação. Palestras de educação tem sido realizadas para orientar as mães sobre o aleitamento materno, o tratamento caseiro da água, e o incentivo a ações de higiene, como lavar sempre as mãos antes de se alimentarem, além da promoção do uso de mosquiteiros.

Na Guiné Bissau, o representante da Unicef, Goess Wiffin, explicou que as razões das mortes são complexas e que no país, muitos morrem por desnutrição e pneumonia. Para ele a falta de médicos e enfermeiros profissionais de saúde para a apoiar a população é um dos principais problemas. Todavia, existe no governo de Guiné Bissau um plano de intervenção para reduzir a mortalidade infantil, através da educação das famílias. “Estamos fornecendo alfabetização para as mulheres. Há muitas organizações e programas que podem apoiar o governo para capacitar novos médicos e enfermeiros e implementar agências de saúde comunitária.”

Egoes Wiffin afirma que não tem os dados corretos do número de mortalidade infantil em Guiné Bissau, pois segundo ele, ainda há muitos óbitos que não foram registrados, fato que torna o problema ainda mais grave.

Em declarações a agência Lusa, o ministro da saúde de Moçambique, disse estar “envergonhado” com a elevada taxa de mortalidade materna no seu país, que foi estimada em 579 mortes por cada 100 mil nascimentos.

O relatório de avaliação dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio, indica, que nas últimas décadas, Moçambique tem registrado uma redução contínua das taxas de mortalidade neonatal, infantil e infantojuvenil e tem o potencial de atingir as metas definidas pela ONU relacionadas com a mortalidade infantil e em menores de cinco anos até 2015.

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

(15.04.11)

 

Angola combate poliomielite e cólera

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A luta para a erradicação da poliomelite e da cólera em Angola é um dos principais desafios do país, que recebe apoio da Unicef e da Organização Mundial de Saúde.

 

A prevalência das doenças está associada ao consumo de água de fontes impróprias, como rios ou lagos, e à baixa cobertura da vacinação de rotina no país.

De acordo com Rui Gama Vaz, representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Angola, no país têm sido postas em prática várias medidas para a erradicação da poliomielite: por exemplo, a distribuição de lixívia, palestras e campanhas de sensibilização sobre medidas de higiene e tratamento da água para consumo. Para ele, o apoio dos governantes do país para a erradicação da doença tem sido fundamental:

“Todos os governadores provinciais estão diretamente envolvidos, o que demonstra na prática que em Angola não existe apenas um compromisso político, mas um compromisso a nível operacional de interromper a transmissão, que é extremamente louvável”, disse o representante da OMS. “Existe também um grande apoio do setor privado, como as companhias petrolíferas, que têm dado apoio financeiro também na implementação do programa de emergência”.

Acesso a água tratada ainda é um problema

 

Koen Vanormelingen, representante da Unicef em Angola, diz que 50% da população ainda não tem acesso a água potável, devido a uma infra-estrutura deficiente, que foi destruída durante a guerra. A questão agora, garante, é “assegurar que [a água no país] seja disponibilizada para os lares e que seja de boa qualidade”.

No ano passado, depois das campanhas de prevenção contra a poliomielite, foram diagnosticados 33 casos em Luanda. E desde 2011 até agora foram registados apenas dois casos na província de Cuando Cubango.

Este ano, estão previstas três campanhas nacionais de vacinação de rotina e o objetivo é vacinar todas as crianças.

 

Chuvas fortes de terça-feira podem causar surto de cólera

 

Dados das agências de notícias internacionais referem que em 2010 foram registados ao todo em Angola 1630 casos de cólera.

A cólera ainda não foi erradicada na região e as agências humanitárias temem que as chuvas fortes, que começaram nesta última terça-feira (05.04.2011) e que provocaram muitas inundações e desmoronamentos de terras, possam trazer consigo um surto de cólera, devido à acumulação de lixo e à falta de saneamento básico na região.

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

(08.04.11)

 

Reserva ambiental poderá reduzir mortes de elefantes em Angola

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Projeto KAZA da organização WWF na Alemanha.
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De volta ao país após a guerra civil, os elefantes disputam espaço com agricultores. Um dos maiores projetos de proteção do meio ambiente na África Austral quer facilitar a convivência e a movimentação dos animais.

 

Desde o fim da guerra civil em Angola, em 2002, a vegetação e a fauna local ganharam novo alento. Elas renascem nas províncias angolanas, e agora até os animais selvagens, como os elefantes, que migraram para o Sul da África, no período da guerra, estão de regresso.

Para voltar a Angola, os elefantes têm que passar por várias fronteiras, por exemplo o chamado Corredor de Caprivi, que liga a Namíbia a Zâmbia e separa o Botsuana de Angola. Tornar estas fronteiras mais permeáveis é um dos principais objetivos do projeto KAZA duma reserva natural transfronteiriça na região dos rios Kavango e Zambezi. A reserva deverá incluir territórios em Angola, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue e Botsuana.

 

Promover a migração dos elefantes

 

Assim os elefantes poderiam migrar dos países, onde as populações já atingiram níveis muito altos, para países com populações ainda pequenas. Philipp Göltenboth, coordenador do projeto KAZA na organização não-governamental WWF na Alemanha, explica: “No Botsuana, por exemplo, existe uma quantidade imensa de elefantes, como no Chobe National Park”, que seria pequeno demais para a quantidade de elefantes no local. “Mas, criando corredores em direção a outras regiões, como Angola, os elefantes podem ter acesso a outras áreas, onde eles têm mais espaço para viver”, afirma Göltenboth.

A diretora do ministério do turismo, e coordenadora angolana do projeto, Kamélia Cazalma, vê o regresso dos elefantes com bons olhos. “Para nós, é uma alegria muito grande, pelo fato do fim da guerra permitir que os animais regressem”, avalia. “Vieram eles e aqueles que constituíram família, outros elefantes que nasceram no Botsuana e noutros países. O projeto vai possibilitar que a população mundial visite esta área transfronteiriça”, estima Cazalma.

 

Convivência difícil entre homens e animais

 

Para Philipp Göltenboth, do WWF, Angola tem um grande potencial natural em biodiversidade. Porém, a convivência entre homens e a natureza nem sempre é pacífica: ocorrem muitos conflitos entre os agricultores e os elefantes, que devastam as plantações. “Centenas de elefantes são mortos na África todos os anos. E também morrem centenas de pequenos agricultores que entram em confronto com os animais, que destroem as plantações de milho”, conta o coordenador.

 

 

Para reduzir estes conflitos, o Ministério do Turismo de Angola, e também o do Meio Ambiente, desenvolveram a concessão de terras às comunidades. Os territórios são demarcados pela seção alemã da WWF, em conjunto com o estado angolano.

De acordo com o coordenador da WWF na Alemanha, as minas ainda existentes em Angola não impedem a migração dos elefantes, que já aprenderam a contorná-las.

O projeto KAZA ainda está na fase inicial. Mas a visão já está clara: criar uma das maiores reservas naturais da África em Angola, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue e no Botsuana, em que as fronteiras deixem de ser uma barreira para os animais selvagens.

 

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

(28.03.11)

 

Kraftwerk - Uma banda que revolucionou o estilo musical

Nosso conceito é Kraftwerk,  ou seja central de energia.  As pessoas são máquinas, isso quer dizer, que nós brincamos com as máquinas e aas máquinas brincam conosco.”

 

Os sons não são nada convencionais. Uma mistura moderna, que une tecnologia, rock e popo rock. Esse é o som da banda Kraftwerk, ou “Central elétrica” em português. A banda foi fundada por Florian Schneide e Ralf Hütter em 1970, em Düsseldorf na Alemanha. Posteriormente a dupla se tornou um quarteto, com a entrada de Wolfgagn Flür e Karl Bartos. O grupo musical, de forma irreverente, criou um estilo e ritmo próprio, através da integração de vários sons, a banada inventou o ritmo chamado “technopop”.

Kraftwerké uma das bandas mais conhecidas internacionalmente, por ser a precursora da música eletrônica. A influência da banda está presente na geração atual, e é considerada por críticos uma influência tão forte como a dos Beatles.

As técnicas que o Kraftwerk introduziu, assim como os equipamentos desenvolvidos por eles, são hoje elementos comuns na música moderna. Mas afinal, qual o motivo da banda chamar-se “Central de energia”?  Quando realizei esta pergunta, o músico Ralf Hütter respondeu-me comparando homens com máquinas. “Nosso conceito é Kraftwerk,  ou seja central de energia.  As pessoas são máquinas, isso quer dizer, que nós brincamos com as máquinas e aas máquinas brincam conosco.”

A banda tornou-se famosa pelo uso de sons que nenhum outro grupo musical na época, havia utilizado, como os sintetizadores. O sintetizador é um equipamento importante na produção musical, sendo que os primeiros, foram criados na década de 1960. Ele permite a criação de sons através da manipulação direta de correntes elétricas, é um  instrumento musical electrônico projetado para produzir sons gerados artificialmente. O sintetizador evoluiu e passou a ser um equipamento muito comum em bandas musicais de vários estilos, como o rock. Para a banda não existe grande diferença entre as pessoas e as máquinas, acrescenta o Ralf Hütter. “ As pessoas tem também campos energéticos, ou passam sinais energéticos, isso pode ser visto também, quando se faz eletrocardiograma. Isso não está separado das pessoas. Natureza e técnica não tem oposição, isso combina com a nossa banda.”

A banda gravou a música “Autobahn”, em português, “rodovias”. Este álbum foi gravado em 1974, a música foi top das rádios da época, um dos maiores sucessos da banda alemã. Logo depois deste álbum, o grupo musical começou a usar teclados eletrônicos, sintetizadores e computadores. No mesmo ano, a banda Kraftwerk lançou um outro disco, “Radioactiv”, que é praticamente todo instrumental. Para os musicos da banda, este novo álbum é sinônimo de música futurística na era dos computadores.

A banda após a segunda guerra mundial

 

Kraftwertk fez muito sucesso após a segunda guerra mundial. A escolha para o estilo musical e a construção de instrumentos que não existiam na época, foram vistas como uma forma de protesto. Protesto sim, pois algumas histórias diziam, que na época, os alemães gostavam de ouvir músicas futurísticas, pois na realidade, eles queriam esquecer o passado de guerras, sobretudo a segunda guerra mundial.

“Para nós não foi nenhum problema fazer músicas mais animadas na Alemanha depois da segunda guerra mundial, pois as músicas naquela época haviam desaparecido do dia a dia da nossa geração, então tivemos que começar do zero, exclarece Ralf.

Na década de 80, a banda lançou o álbum “Eletric Café”, um disco muito mais globalizado, e é falado alguns idiomas, inclusive uma parte em português, como a frase “música eletrônica, figura ritma, arte política, na era atômica.” As letras criticam a vida urbana, a vida industrial e tecnológica.

A banda continua a fazer sucesso, as músicas antigas não são esquecidas pelos fãs. Em Junho de 2005, a banda lançou o álbum ao vivo “Minimum-maximum”, com gravações de shows de 2004. Em dezembro de 2008, Florian Schneider deixou o grupo e foi substituído por Stefan Pfaffe. A banda Kraftwerk foi vista no Brasil abrindo o show do grupo musical Radiohead em 2009.

Os adeptos da música eletrônica vem crescendo no mundo inteiro consideravelmente e o estilo ganhou força na década de 70 e foi considerado uma vertente do rock, e hoje possue características próprias.

Após a segunda guerra mundial, com a invenção do computador, a música eletrônica foi ganhando espaço entre os jovens acadêmicos e vários compositores, gerando assim, grupos de estudo na Europa e nos Estados Unidos. E a cada dia, a música eltrônica evolui, novos sons são criados e novas formas de fazer a música eltrônica são descobertas.

 

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

(30.03.11)

Mulheres na Tunísia e Egito pedem mais democracia

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As imagens de Kairo e Tunis foram novas para a mídia na região. Mulheres de todas as idades, algumas com véu, outras usando lenços, idosas ou jovens, donas de casa, feministas e intelectuais. Todas protestavam juntas ao lado dos homens, contra o antigo regime e a favor de mais democracia. Agora, depois que os ditadores de seus países foram retirados do poder, as mulheres se perguntam, como elas podem no futuro contribuir para a política do país.

 

Elas se organisaram de forma bem transparente, participaram dos vários protestos nas ruas e foram ativas, chamando a atenção da mídia. A participação das mulheres foi documentada através de redes sociais, como a página das mulheres no facebook.

E hoje, elas se perguntam, como serão inseridas nos projetos de estruturas de um estado novo, ou será que elas ainda, permanecerão como um grupo mais desfavorecido da classe política. Amal Abdelhadi, uma ativista egípicia e fundadora da “New Woman Foundatiton”, pede um pouco mais de paciência.

“Muitos pensam, que por termos um parlamento eleito, então temos imediatamente uma perfeita democracia, e assim, as mulheres obtêm todos os seus direitos”. Para a ativista Amal Abdelhadi ainda existe um longo caminho para a democracia. As instituições políticas e os partidos começam lentamente a se formar e a estabelecer seus programas, e as mulheres sejam jovens ou velhas, exercem uma função cada vez mais participativa na sociedade, porém, isto ainda é o primeiro passo, esclarece.

Existem ainda muitas ações dentro da política do páis para ser realizada, e a prova disto, é a comissão constitucional, que foi criada pelas forças armadas. A esta comissão não existe nenhuma mulher, embora, na opinião da ativista Abdelhadi, existam no Egito juízas egípicias competentens em Direitos Constitucionais. Por isso, as mulheres não se conformam e se organizam para uma nova ordem política afim de terem uma posição mais ativa e de mais direito de co-decisão.

Mulheres em protesto no Egito.

 

A ativista Abdelhadi esclarece, que ainda é necessário uma política civilizada e um debate no egito. “Nós promovemos uma nova constituição, que seja realizada em primeiro lugar, a idéia do cidadão responsável, e que não haja distinção entre os cidadãos, e que não sejam discriminados por causa de seu sexo, sua religião, ou qualquer outro tipo de racismo.

Por isso, alguns ativistas tentam se organizar em novos e antigos partidos políticos. Tanto Amal Abdelhadi, quanto também muitas outras feministas e ativistas estão bem, informadas sobre o assunto,  e na próxima fase, na apresentação das novas estruturas estatais, será exigido um trabalho intensivo de ações políticas para as mulheres.

 

Se as pessoas aproveitarem essa única chance, o Egito pode se tornar um moderno e democrático estado de direito, afirma Abdelhadi. Esta também, seria uma esperença,  que a presidente da associação democrática para mulheres, Sana Benachour, também tem. Na Tunísia existem mulheres ativas, que ajudaram n a remoção do antigo regime, mas, o que vem a seguri, ainda é incerto.

“Depois da queda do antigo regime, surgiram muitos movimentos sociais, que propagam um papel tradicional das mulheres. Tenho que admitir que estas correntes sociais, não tiveram muitas chances, pois se apresentam como uma minoria”, explica a presiddente da associação democrática Sara Benachour.

 

Por isso, as mulheres da Tunísia continuam ainda otimistas em seus direitos. E não excluem a possibilidade de que futuramente, a Tunísia seja regida por uma presidente.

“Isso seria possível, talvez nõ nos próximos meses, mas nos próximos anos. Eu tenho confiança na sociedade da Tunísia, que é moderada e tem um grande passado. As mulheres irão continuar a lutar terminantemente pelos seus direitos, até que os pensamentos de igualdade sejam estabelecidos na sociedade tunisiana”, afirma Sara Benachour.

 

Cristiane Wedel para a Deutsche Welle

04.04.2011